terça-feira, 2 de julho de 2024

Golpes: 4 em cada 10 brasileiros já foram vítimas; veja como se proteger


 O Relatório de Identidade Digital e Fraude 2024, levantamento feito pelo Serasa Experian, aponta que 42% dos brasileiros foram vítimas de golpes e fraudes financeiras no país, o que resulta em 4 a cada 10 brasileiros. Os tipos de golpes mais relatados pelos consumidores foram o de uso de cartões de crédito por terceiros ou o cartão falsificado (39%). Já as fraudes financeiras ficaram em segundo lugar (32%) – sendo pagamento de boleto falso ou PIX.

Os golpes e as fraudes financeiras causam prejuízos aos consumidores. Segundo o estudo, do percentual de 42% dos brasileiros que já foram vítimas de golpes, 57% tiveram perda financeira de R$ 2.288 em média, o que equivale a quase um mês e meio de trabalho de quem recebe um salário-mínimo.

O estudo mapeou, ainda, os golpes mais temidos pelos consumidores. Em primeiro lugar aparece o medo com as fraudes com meios de pagamento, as quais envolvem cartões de crédito, sendo 36%. Em seguida, aparece o temor aos golpes de transferências via PIX e vazamento de dados, ambos 21%. Apenas 2% dos respondentes disseram que não temem sofrer golpes.

Confira dicas de como evitar golpes com o cartão de crédito:

  • Utilize cartão virtual para compras online;
  • Realize compras em lojas oficiais;
  • Adote algumas medidas de segurança, como: ativar os alertas de transação (seja por SMS ou por e-mail) no seu banco;
  • Evite acessar o aplicativo do banco e realizar transações financeiras conectado em Wi-Fi público;
  • Tenha o hábito de verificar os extratos bancários; 
  • Jamais forneça informações pessoais ou do seu cartão de crédito;
  • Descarte documentos que tenham informações do seu cartão corretamente;
  • Crie senhas fortes e únicas e evite usar a mesma senha para múltiplas contas;

No ambiente online, as promoções podem ser tentadoras aos consumidores. Porém, é necessário ter atenção e cuidado nessas situações, como salienta o advogado Mozar Carvalho, sócio fundador do escritório Machado de Carvalho Advocacia.

“Sempre desconfie de promoções tentadoras que parecem excelentes, geralmente elas só parecem. Não são, então cuidado com isso porque é uma forma de burlar, de captar o número do seu número de cartão, seu número de CPF, seu número de identidade e suas informações, seus dados em geral para poder te trazer problemas depois com fraudes”, pontua Mozar.

A especialista em Consumidor, Renata Nicodemos, sócia do escritório Ernesto Borges Advogados de Campo Grande–MS, menciona outros cuidados que as pessoas podem tomar, em especial, com relação aos pagamentos não apenas virtuais, mas também presenciais nos caixas eletrônicos.

“Tenha um cuidado especial com caixas eletrônicos. Verifique se há algum dispositivo estranho acoplado ao caixa eletrônico antes de inserir o seu cartão. Prefira caixa eletrônico localizado dentro das agências bancárias. Ao realizar compras online, certifique-se de que o site é seguro. Utilize cartões virtuais, porque eles possuem um número temporário que expira após a transação, isso reduz o risco de fraude. E também é importante manter seus dados de contato atualizados perante a instituição financeira para que você possa receber as notificações e alerta de segurança”, alerta Renata.

Caso seja vítima de golpe ou fraude financeira, o cidadão possui diversos direitos perante a justiça. Segundo Renata, os consumidores vítimas de fraude têm direito de contestar as transações fraudulentas à instituição financeira, à assistência e suporte durante o processo e a solicitar o bloqueio imediato do cartão.

Para ela, o acesso à informação é crucial para evitar esses transtornos. “A conscientização é uma ferramenta poderosa e necessária na prevenção de fraudes e ajuda a controlar os riscos e proteger tanto os indivíduos quanto as empresas”, ressalta Renata.

Prejuízos psicológicos

Em relação às diferenças do índice por faixa etária, o estudo registrou que quem tem mais de 50 anos aparece com o maior índice de ter sofrido uma fraude (48%). Ainda de acordo com dados do estudo, após sofrer uma fraude, 87% dos respondentes disseram que a preocupação com o tema “aumentou”. O percentual vai para 91% quando considerado o recorte de pessoas que tiveram perda financeira.

Segundo a neuropsicóloga Aline Gomes, ao cair em algum golpe financeiro, a pessoa passa por diferentes estágios de emoções e sensações. No curto prazo, raiva, tristeza, vergonha, desamparo e até a culpa. No médio prazo vem a ansiedade e o medo. 

“Esse quadro coloca o brasileiro num estado de alerta e ansiedade que acabam consumindo sua energia mais do que deveria e precisaria. Significa que o brasileiro deverá dedicar uma parte de sua atenção e foco para algo que indica alerta e perigo, sendo que essa atenção e esse foco poderiam ser destinados a algo mais edificante e produtivo. Dependendo do histórico de saúde do indivíduo e do impacto que o golpe teve na vida, pode haver um agravamento de fobias e transtornos”, alerta a neuropsicóloga.

Empresas

No cenário de golpes, as empresas não estão isentas do perigo. O levantamento mostra que a preocupação das empresas sobre a recorrência de golpes aumentou 58% em um ano. A alta foi ainda maior na visão por portes das empresas, nas grandes empresas o índice sobe para 68%. Essas são, ainda, mais conscientes sobre a importância da prevenção contra criminosos. 

Dicas para as empresas evitarem cair em golpes:

  • Os empreendimentos podem realizar reforço na segurança, implementando tecnologia para proteção de dados e transações;
  • Promover conscientização dos funcionários com treinamentos regulares para saberem identificar e reagir a tentativas de fraude;
  • informar aos clientes sobre os canais oficiais de comunicação e transações da empresa para evitar que os consumidores caiam em golpes.

Em 2024, a “Proteção de Operações Fraudulentas” é o segundo foco das companhias (35%), atrás apenas de “Conquistar Mais Clientes” (45%). 

O professor e advogado especializado em Direito Digital, Lucas Karam, destaca que para mitigar eventual prejuízo para empreendimentos ocasionado por fraude de cartão de crédito é necessário, principalmente, atenção quanto à escolha da intermediadora de pagamentos.

“Essa intermediadora necessita ter uma alta tecnologia e um fluxo efetivo para a realização da análise de crédito para verificar se é realmente aquela pessoa a proprietária daquele cartão que está realizando aquela aquisição”, afirma Karam

A pesquisa

O levantamento coletou 804 entrevistas via painel online entre os dias 7 e 22 de novembro de 2023 com pessoas físicas e  331 pessoas jurídicas (PJs).




‘Pautas Femininas’ debate saúde mental da população negra


 Agência Assembleia

O programa ‘Pautas Femininas’ debateu, em sua edição desta segunda-feira (1º), que foi ao ar pela Rádio Assembleia (96,9 FM), a saúde mental da população negra. A entrevistada foi a psicóloga especialista em diversidade e inclusão e cofundadora da 'Pense Minha Cor Comunidade', Luara Matos.

Esta edição iniciou uma série de programas voltados para o ‘Julho das Pretas’, ação criada em 2013 pelo Odara Instituto da Mulher Negra, pela igualdade de gênero e raça, colocando a luta das mulheres negras como centro dos debates.

Durante a entrevista, a psicóloga explicou o 'Pense Minha Cor Comunidade', voltado para democratização de saúde mental, de promoção de educação antirracista para escolas, inovação e tecnologia negra, e valorização e fortalecimento da cultura negra, possibilitando acesso a esses serviços com preços abaixo dos praticados no mercado. A lista com os profissionais está disponível no site do projeto.

“Quando pessoas negras acessam espaços que não são comumente acessados, isto vem acompanhado de desconfortos, especialmente por não se enxergar pertencente, porque, historicamente, eles não foram criados para a gente. Quando estava na universidade, observei um grande vazio de existência e discussão sobre direitos e demandas da população negra. Vi que pouco se discute sobre isso. Então, me uni a mais dois colegas e fundamos o Pense Minha Cor”, explicou Luara Matos.

Ela destaca que o projeto atende também a comunidade indígena. “O alcance à população indígena ainda é feito com muita dificuldade, tanto pela desigualdade digital, quanto por questões culturais. Quando falamos sobre isto, é importante não nos colocarmos como o detentor do conhecimento, de saber, capaz de orientar e direcionar. Porque, às vezes, não é isto que aquela comunidade está precisando e, no caso dos indígenas, as problemáticas que os atravessa, podem ser mais sociais que mentais”, destacou a psicóloga.

segunda-feira, 1 de julho de 2024

Conta de luz fica mais cara em julho, após 26 meses sem bandeira tarifária


 A conta de luz ficará mais cara para os consumidores brasileiros, neste mês de julho, com o acionamento da bandeira tarifária amarela, pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A alta será de R$ 1,88 a cada 100 kWh consumidos no mês, devido à previsão de chuva abaixo de média e a expectativa de aumento do consumo de energia. O alerta foi publicado na sexta-feira (28).

“Essa é a primeira alteração na bandeira desde abril de 2022. Ao todo, foram 26 meses com bandeira verde. Com o sistema de bandeiras, o consumidor consegue fazer escolhas de consumo que contribuem para reduzir os custos de operação do sistema, reduzindo a necessidade de acionar termelétricas”, afirmou a Aneel.

A previsão de escassez de chuvas e as temperaturas mais altas no país aumentam os custos de operação do sistema de geração de energia das hidrelétricas. Dessa forma, é necessário acionar as usinas termelétricas, que possuem custo maior.

Criado pela Aneel em 2015, o sistema de bandeiras tarifárias sinaliza o custo real da energia gerada, possibilitando aos consumidores o bom uso da energia elétrica. O cálculo para acionamento das bandeiras tarifárias leva em conta, principalmente, dois fatores: o risco hidrológico e o preço da energia.

As bandeiras tarifárias funcionam da seguinte maneira: as cores verde, amarela ou vermelha (nos patamares 1 e 2) indicam se a energia custará mais ou menos em função das condições de geração, sendo a bandeira vermelha a que tem um custo maior, e a verde, o menor. (Com ABr)